Dossiê caminhão a gás: primeira entrega da Scania e outras notícias sobre o tema

Neste dossiê caminhões a gás, começando pelo esforço da Scania, vamos apresentar o primeiro resultado da fabricante no Brasil, que tem como slogan “solução de transporte sustentável”. É um trabalho que começou lá atrás e que começa a dar frutos. Também, vamos sugerir uma série de reportagens já publicadas neste site da Transporte Mundial sobre os desafios de substituir os caminhões movidos a diesel por similares movidos a gás para quem quiser se aprofundar sobre o tema.

Primeira entrega
Com mais de 4 mil caminhões movidos a gás comercializados no mundo, a Scania faz a entrega dos quatro primeiros modelos R 410 6×2 fabricados (comercialmente) e vendidos no Brasil.

Os cavalos mecânicos foram comercializados durante a Fenatran 2019 e podem funcionar tanto com GNV (Gás Natural Veicular) e biometano, separadamente ou misturados no tanque, da mesma forma que funcionam os veículos Flex (leia mais adiante a diferença entre os tipos de gases neste texto mais abaixo). Outras 19 unidades já foram comercializadas e ainda serão entregues. 

O incentivo para compra dos caminhões partiu da L’Oréal, empresa de origem francesa, e iniciativa que envolveu dois fornecedores de transportes dela, sendo duas unidades adquiridas pela RN Express (primeira a comprar), seguida da Jomed LOG, que encomendou na época as outras duas unidades. 

Os cavalos mecânicos, que têm autonomia de 450 km, serão utilizados para transferência de produtos da L’Oréal entre o Rio de Janeiro e São Paulo, rota que concentra cerca de 30% do volume de transporte rodoviário.

Segundo o gerente nacional de transporte da empresa, Renan Loureiro, cerca de 1.000 caminhões atendem a L’Oréal por mês e 15 atendem o trecho entre às duas cidades. “Já utilizamos veículos elétricos nas operações de distribuição urbana, pois a sustentabilidade é um dos valores da L’Oréal”, comenta o executivo.

Nestlé

Segundo o Silvio Munhoz, diretor comercial da Scania no Brasil, os embarcadores que já estão envolvidos em políticas ligadas à sustentabilidade que são os impulsionadores para o desenvolvimento de veículos com combustíveis que emitam menos poluentes, como é que o caso dos caminhões movidos à gás. 

Rodrigo Navarro, diretor comercial da RN Express, confirma isso. Segundo ele, os R 410 serão utilizados também para atender a Nespresso e no transporte de outros produtos da Nestlé na mesma roda entre Rio de Janeiro e São Paulo.

GNV e biometano
Vamos entender a diferença entre os gases. O GNV (Gás Natural Veicular) é o mais conhecido no Brasil por já ser usado há muitos anos em automóveis, principalmente, por motoristas que rodam muito diariamente, como taxistas. Quem já não ouviu sobre a conversão de motores com um kit gás?

No entanto, o GNV ainda é um combustível fóssil e não-renovável. Mesmo apresentando emissões de CO2 menores do que o diesel, em cerca 20%, ele ainda é uma solução intermediária para quem busca realmente reduzir a poluição veicular. O que mais atrai o consumidor é o seu preço menor no posto de combustível, nem tanto a redução da emissão de poluentes.

A Lei do Petróleo (número 9.478/97) define o gás natural como “porção do petróleo que existe na fase gasosa”. Ele é usado em indústrias, residências e como combustível em veículos. É entrega um custo por km rodado menor do que gasolina e diesel para o consumidor final, mas exige grandes investimentos em infraestrutura de armazenamento e transporte. Por isso, a sua oferta acaba ficando mais nas regiões próximas ao litoral, diferentemente do biometano que pode ser produzido no quintal de casa.  

Já o gás biometano é a aposta mais assertiva para quem realmente está preocupado com o meio ambiente, pois reduz as emissões de CO2 em quase 100% e renovável. Ele é o biogás (gás bruto obtido da decomposição biológica de resíduos orgânicos) purificado para uso como biocombustível.

A matéria para a produção de biogás no Brasil é abundante em todas as cidades. Para se ter uma ideia de como é fácil produzir biogás que o Sesc já ofereceu para comunidades carentes o curso “Energias renováveis na periferia e construção de um biodigestor de baixo custo” para que as pessoas possam produzir em casa o próprio gás de cozinha com a reutilização de resíduos orgânicos da própria residência. 

As especificações para produção e qualidade do biometano como combustível já estão regulamentadas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo) pelas resoluções da Resolução ANP n° 8/2015 e da Resolução ANP nº 685/2017. 

Segundo a Abiogás (Associação Brasileira do Biogás), o Brasil tem potencial para ser o maior produto do mundo de biometano (86,4 bilhões de Nm³ por ano – Nm³ significa Normal metros cúbidos, medida utilizada pela física para vazão de gás), suficiente para substituir 70% do diesel utilizado atualmente. Porém, é uma indústria que está começando e com o ritmo burocrático do Brasil, levará muitos anos para chegar ao potencial. 

O biometano é uma indústria que gera outras, como a da reciclagem de lixo orgânico, entre outras de equipamentos, armazenagem e transporte de gás. 

Teste com ônibus movido a biometano

Os esforços da Scania estão também no segmento de ônibus para o transporte urbano de passageiros. Veja o custo por quilômetro rodado em teste de 5 mil km e 12 semanas: “Scania desenvolve ônibus a GNV e biometano no Brasil“.

Parcerias entre Scania, Iveco, Shell e Osomo
Enquanto no Brasil não há nem incentivo fiscal, na Europa empresas formaram consórcios com apoio da União Europeia para acelerar o uso de caminhões pesados. Confira a reportagem sobre a parceria entre as empresas: “Shell, Scania, Iveco e Osomo formam consórcio para uso de gás natural“.

Biometano na logística
E quando o BNDES não sabe para que serve o biometano na logística? Pois é, um engenheiro responsável pela área de transportes do banco público perguntou aos presente em um evento sobre o assunto e perguntou: “o que o gás biometano tinha a ver com logística”. Confira a gafe na seguinte reportagem: “Gafe: para que serve o gás biometano na logística?. 

Na Argentina, país mais avançado sobre o tema veículos comerciais a gás, a Scania realizou um fórum que reuniu autoridades e especialistas que discutiram a sustentabilidade com energias alternativas. O resumo do resultado pode ser lido na reportagem “Scania promove debate sobre transporte sustentável“.

Lançamento já com opção a gás
A tendência é que todos os lançamentos de novos caminhões já tenham a versão a gás, como fez ao lançar o Iveco com o S-Way. Confira: “Iveco S-Way: versão Natural Power com motor de 460 cv movido a gás“.

Braspress
Se hoje é a iniciativa vem de embarcadores, já desde o início desta década, o transportador Helou Urubatan, presidente da Braspress, já tentava implantar caminhão a gás em sua frota. Leia a reportagem que já publicamos sobre a iniciativa da Braspress: “Atego a gás foi destaque de transportadora em 2012“.

No campo
Os motores a gás também promovem benefícios em máquinas agrícolas, considerando também que as fazendas podem ser autossuficientes na produção de biogás. Confira na matéria “New Holland leva biometano ao agro“.

Compromissos públicos de empresas
Assim como a L’Oréal incentiva fornecedores de transportes a terem uma visão de sustentabilidade, a DHL e Scania também vão cobrar isso dos prestadores de serviços, pois as duas empresas assumiram compromissos de redução de CO2. A DHL colocou como meta de emissão zero de gás carbônico até 2050, e a Scania, redução de 50% até 2025. Confira no post: “Scania e DHL só vão contratar transporte limpo“.

Fonte: Transporte Mundial